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Golden Retriever - A Verdadeira História

Tue, Dec 2, 2008

História

Contam os livros que o golden retriever nasceu de um punhado de cães amarelos russos que, levados a Inglaterra, foram cruzados com outros, para chegar ao tipo que têm hoje. Narram os especialistas, também, que o nome da raça deve-se ao fato de serem cães que têm a pelagem predominantemente dourada; daí o golden no seu nome, palavra que se refere a essa cor, em inglês. Já, a palavra retriever, que significa “aquele que resgata”, “apanhador”, alude, segundo as enciclopédias, ao fato de o cão ter sido utilizado para trazer com a boca a caça abatida, que caía na água, já sem vida, depois do tiro do seu algoz. Ele a apanhava e a trazia ao seu dono. Por isso o nome de “apanhador dourado”. Até poderia ser tudo verdade, não fosse outra – e menos simples - a história verdadeira.

Para retratá-la em detalhes fidedignos, bem como para que se entenda de onde surgiu o nome golden retriever, que tem mais significado e sentido do que a própria etimologia da palavra sugere, precisamos voltar ao século XIX, numa casa de campo na Europa insular.

 

Madame Majoribanks estava farta de brigar com seu marido, Sir Dudley Majoribanks, ou Lorde Tweedmouth, título pelo qual o nobre era mais conhecido. Todos os dias, era a mesma coisa: o nobre aristocrata inglês saía para cuidar das fábricas e fazendas e voltava tarde para casa, ansioso pelo jantar. A mulher ficava só, coordenando os empregados e rodeada dos cães perdigueiros, setters e spaniels do marido, como era comum na Bretanha de cento e cinqüenta anos atrás, entre as famílias de sangue azul.

 

Madame Majoribanks, todavia, não podia convidar suas amigas, a Condessa de Wiltonshire e a Duquesa de Canternorthburg, para um copo de chá, ao cair da tarde. É que os cães, alvoroçados, não deixavam os convidados em paz. Se entrassem em casa, pulavam nos sofás e poltronas, derrubavam o chá com seus rabos, e não paravam de se esfregar nas visitas. Se ficassem do lado de fora, preso ou soltos, não importa, não paravam de latir. De noite, com a volta do marido, os cães novamente se ouriçavam. E nem ele, nem os cães se interessavam pela esposa.

 

Madame Majoribanks viu, então, que depois de dez anos de casamento, com prosperidade, lavouras, fábricas e ….cães, muitos deles, sua relação com o marido estava por um fio. Eles nem mais se olhavam nos olhos. Apáticos, apenas se cumprimentavam num ritual mecânico de ‘bom dia, olá, tudo bem com você hoje?’. E não havia solução para esse problema.

 

Até que, num sábado qualquer, o marido saiu cedo para caçar com os amigos barões, levando os cães consigo, como de hábito. A esposa, então, se produziu, chamou a pajem, e foi a cidade com ela. A carruagem as levou para uma Londres escura e chuvosa, onde viram um desfile colorido pelas cinzentas ruas. Era a companhia de circo russa, recém-chegada à cidade.

 

Atraídas pela música e pelos artistas, malabaristas e bailarinos, as duas seguiram o cortejo até a entrada do circo. Lá, no picadeiro, as damas viram a exibição de oito cães amarelos de pêlo longo, que obedeciam fielmente ao seu treinador. Encantada, Madame Majoribanks conversou com o dono do circo, que lhe contou ter encontrado os cães nas montanhas do longínquo Cáucaso, e não demorou muito a treiná-los. Numa atitude impulsiva, e sempre pensando em agradar o marido, que tanto apreciava cachorros, ela  ofereceu uma boa quantia em dinheiro, ouro e jóias por dois dos cães amarelos.

 

O dono do circo resistiu à oferta, que foi triplicada, e ele acabou vendendo não só dois, mas os oito cães ao Lorde Tweedmouth, que sequer sabia daquela aquisição.

 

No cair da noite, Madame Majoribanks chegou à sua propriedade levando os cães consigo. O marido já a esperava nervoso e aborrecido, quando ela desceu da carruagem e lhe ofereceu os animais como presente. O Lorde resisitiu, esboçou um sorriso sem graça e, por fim, esbravejou: - nossa, o que vou fazer com esses cães sem raça? Já tenho spaniels e setters das melhores linhagens…vou ter que agüentar esses cães amarelos agora?

 

E, nos dias que se seguiram, o casal se afastou mais. A mulher ficou triste porque o marido não gostou dos cães e o marido bravo, porque a mulher não comprou bloodhounds, que eram ótimos sabujos farejadores, ou greyhounds, fabulosos velocistas.

 

Mas os cães foram muito dóceis com todos. Os outros cães, os criados, e até a Condessa de Wiltonshire e a Duquesa de Canternorthburg, passaram a achá-los companhias agradabilíssimas. Afinal, diferentemente dos outros cachorros, eles faziam companhia quietos para a esposa durante o dia de trabalho.

 

Um dia, o Lorde Tweedmouth partiu para uma caçada e os cães foram juntos. Eles não eram exímios farejadores, como os sabujos e os spaniels, mas, quando os marrecos foram alvejados e caíram n’água, os animais foram até lá mais rápido que os outros cães e trouxeram ao Lorde a caça, sem danificá-la, ao contrário do que os water spaniels faziam. Pela primeira vez, Lorde Tweedmouth ficou feliz e afagou a cabeça do mais peludo deles, chamado Nous.

 

Sir Dudley voltou para casa e, pela primeira vez em semanas, falou com a mulher, entusiasmado. Contou dos cães amarelos e do que haviam feito. Naquele dia o Lorde deixou que os cães amarelos dormissem ali, em volta da sua cama. E eles ficaram lá, dormindo. Nous, literalmente no pé do casal.

 

No dia seguinte, quatro dos cães acompanharam o Lorde ao trabalho nas fazendas e os outros ficaram em casa com a esposa, que mandou preparar e servir os patos da caçada. E ela e o lorde, pela primeira vez, em muito tempo jantaram juntos. Sorridentes. A alegria, subitamente, voltava a casa. Os tempos dourados estavam voltando.

 

Os cães amarelos trouxeram a alegria de volta ao lar dos Tweedmouth. A madame agora tinha companhia quando o marido saía para trabalhar e quando recebia sua amigas para o chá das cinco. De noite, o casal era feliz junto, com Nous e os outros cães amarelos ao redor. E naqueles anos que se seguiram a alegria reinou e os Tweedmouth tiveram filhos. Foram anos dourados.

 

Os cães amarelos resgataram a felicidade daquela família, que estava perdida, distante. E daí ficaram eles conhecidos por “golden retrievers”. O golden em alusão aos anos dourados e momentos tão preciosos que esses cães proporcionaram aos Tweedmouth. E o retriever, em homenagem àqueles que resgataram e trouxeram a felicidade de volta à família de Sir Dudley e Madame Majoribanks.

 

E ainda hoje é assim: por onde passa, o golden retriever apanha e traz a felicidade, transformando em anos dourados aqueles que virão, para os donos e para todos aqueles que os rodearem e estiverem em sua companhia.

 

Ah…e quanto aos cães russos, conta a lenda que eles cruzaram com os water spaniels, os setters e até com bloodhounds dos vizinhos, formando uma linda e grande família amarela, que povoou de alegria, companheirismo, docilidade e inteligência os quatro cantos do mundo.

- - -

Artigo escrito por Alfredo Migliore.
Alfredo cria Golden Retrievers em parceria com o canil Golden Trip e é o feliz proprietário de vários cães campeões.

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11 Comentários para este artigo

  1. Mayra Says:

    Olá! Sou estudante de veterinária e estou escrevendo meu projeto de iniciação científica. Nela, preciso colocar uma breve introdução sobre a origem da raça Golden Retriever, e estou tendo uma dificuldade imensa para achar bibliografia com valor científico. Achei o artigo acima muito bem escrito e esclarecedor, por isso gostaria de perguntar quais as referências que o autor usou para escrevê-lo. Agradeço muito se este não se incomodar de responder. Muito obrigada, Mayra.

  2. Golden Retriever Brasil Says:

    Olá Mayra, aqui está a resposta de Alfredo Migliore, autor do artigo, para você! Assim que tivermos mais informações, encaminharemos a você.

    “Mayra, minha cara: local, personagens principais e até o nome do primeiro cão da raça são verdadeiros. A história dos cães de circo do Cáucaso com a trupe russa, também é contada por muitos, mas as referências históricas dão conta de que se trata de uma lenda, não a verdade. A história que narrei é romanceada e bem que poderia ser toda ela verdadeira, mas o Lorde ali mencionado, na verdade, obteve o primeiro golden, de nome Nous, de cruzamentos entre water spaniels, setters e, especula-se, até um bloodhound (aquele conhecido pelo faro, e que deu origem ao Pluto de Walt Disney). O nosso amigo Dieter é um expert nesse trecho da história e vou contatá-lo para que ele nos mande o mapa dos primeiros cruzamentos e da primeira linhagem de goldens de Guisachan.

    Vou procurar as fontes e referências históricas para te passar. Na internet, de uma simples pesquisa, muito se pode encontrar. De confiável, no entanto, recomendo o livro oficial de padrões das raças do AKC – American Kennel Club.

    Abraços”

  3. Mayra Says:

    Olá Alfredo! Desculpe a demora. Muito muito obrigada pela resposta! Procurarei o livro sim, obrigada pela dica. Qualquer outra ajuda que puder dar será super bem vinda ;)! Meu email é mayra.frediani@gmail.com
    Boas festas! Abraço!

  4. SOLANGE Says:

    Ganhamos um Golden Retriever,”Catarina”, com a idade de 04 anos. Para uma melhor convivência com o animal, já adulto, procuramos um veterinário para retirar dúvidas do nome de origem desta raça e como realizar os seus e os nossos desejos.

    O veterinário nos informou que essa raça era labrador, somente diferenciada pela pelagem.

    Como a “Catarina” acabou de dar cria a 07 lindos filhos (preservados com a cruza c/ THOR, tbm Golden), resolvi hoje acessar a Internet para buscar mais informações a respeito da tão conflitante origem animal.

    Como moro em zona rural, fiquei feliz em encontrar respostas as minhas dúvidas.

    Abraços,

    Solange Fiorenzano.

  5. Golden Retriever Brasil Says:

    Olá Solange,

    Muito bacana conhecer sua história e saber que estamos conseguindo ajudar um pouco!

    Esperamos conseguir dar mais informações a pessoas como você sempre e que com isso aumente o conhecimento e educação em relação a essa maravilhosa raça canina, o Golden Retriever.

    Abraços!

  6. José Says:

    Olá, eu e minha esposa acabamos de nos apaixonar por uma golden de 02 meses e, lógico, trouxemos para casa. è a minha primeira experincia com a raça. Fui adestrador de cães de guarda por muitos anos (hoje me dedico a outras atividades) e apesar de ja ter trabalhado com inúmeras raças nunca fiquei tão encantado com a inteligência de um filhote como estou com a Mel e olha que sou exigente…
    Abraços

  7. Golden Retriever Brasil Says:

    Olá José,

    Parabéns pela aquisição! Com certeza de apaixonará cada dia mais!

  8. suze carvalho Says:

    Olá, fiquei muito feliz em encontrar vcs da Golden Retriever Brasil justamente agora que estou precisando muito de uma ajuda.
    Eu ganhei um filhote de 45 dias e vou dar de presente para meu sobrinho de 7 anos. Como eu sei que essa raça é dócio e companheiro penso que ele será muito feliz com meu sobrinho e crescerão juntos.
    Mas acho que não sabemos ao certo quais cuidados devemos ter com ele. Na verdade eu nem sei ao menos o que significa o cachorro ter pedrigee. Estou com medo de não saber cuidar dele direito, mas o quero muito e amor ele terá ao extremo! Vcs podem me ajudar, me dar conselhos de como cuidar corretamente dele inclusive quais vacinas deve dar?

    Obrigada!

  9. gabriella torres martins Says:

    Olá

    Sou uma menina por enquanto mas vou fazer faculdade para ser veterinária por que amo animais e não deixo que machuque eles porque eles também tem sentimentos,choram,brincam…. E eu to pedindo pra minha mãe comprar um Golden Retriever pois é muito caro mas ela disse que vai procurar um mais barato pra poder comprar…….♥…….mto legal esse site que fizeram………Parabéns……♥♥♥♥♥

  10. Golden Retriever Brasil Says:

    Olá Gabriella,

    Ficamos felizes que goste da raça e que tenha gostado do Golden Retriever Brasil.

    Boa sorte com a compra do filhote de Golden Retriever!

  11. Golden Retriever Brasil Says:

    Olá Suze,

    O primeiro passo é levá-lo ao veterinário, que lhe dará todas as instruções iniciais, principalmente no que diz respeito a vacinas, alimentação etc.

    A partir daí, acompanhe os artigos no site para aprender um pouco mais sobre a raça e os cuidados.

    Ter um pedigree significa que o cão é realmente de raça pura e que você sabe a procedência dele (quem são os pais, quais os problemas de saúde mais comuns na linha “familiar” etc). É extremamente importante!

    Boa sorte!

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